A alegria da expectativa

Era uma vez uma menina que vivia de expectativa. As boas, obviamente. Quando recebia um presente, demorava para abrir o que às vezes deixava triste a pessoa que a presenteava, apesar de sua explicação ser simples e lógica. Na cabeça dela, claro. Sua justificativa era que tinha um pacote em mãos e a expectativa do que havia dentro era boa demais para ser desperdiçada. Poderia ser algo de seu gosto ou um objeto pouco apreciável e a revelação poderia trazer tanto alegria quanto frustração, então ela preferia se agarrar na expectativa de que gostaria do que havia dentro do embrulho.

A menina cresceu sem ser dissuadida a abandonar ou compreender esse comportamento e o que era um habito visto como estranho pelas pessoas que conviviam com ela, passou a ser a raiz da sua procrastinação. A mulher não entendia por que adiava tarefas que gostava de fazer. Quando lia sobre o assunto, citavam medo de fracassar, perfeccionismo, resistência pra sair da zona de conforto, e por muito tempo ela acreditou que fossem esses os motivos que a paralisavam. Porém, aquilo não fazia sentido para ela e a mulher resolveu apenas aceitar e seguir com a vida.

Foram as lembranças da infância, a decepção de um colega do amigo oculto que não pôde ver sua reação ao abrir o pacote que havia entregue a ela, que trouxe tudo à tona. A menina abraçou o pacote com um enorme sorriso no rosto. Estava muito feliz com o presente, não importava o que havia ali dentro. Queria levar pra casa para poder aproveitar mais um pouco o sentimento. A expectativa de que ganharia alguma coisa nova era boa demais para ser desperdiçada. Não era exatamente medo do futuro. Somente o apego exagerado à sensação de que o melhor ainda estava por vir.

Voltando aos poucos a escrever textos autorais por prazer. 💗
Espero que um dia se torne um hábito.

Helaina

10 comentários:

  1. Olá Helaina, que texto Top, concordo com sua conclusão, conheço mutas pessoas assim... abraços... www.ananicolau.adv.br

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    1. Oi, Ana Lucia. Fico feliz que tenha gostado. Pois é, e tem muita gente que nem percebe o quanto é assim e o quanto se prejudica. Abraços;

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  2. Muito bom este texto, parabéns.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  3. Olá Helaina, que texto lindo! Muito profundo e revelador, às vezes é preciso entender de onde vêm alguns sentimento que temos.

    Uma excelente semana para você,
    Beijos.

    https://isagoeswitheflow.blogspot.com/ ✿

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    1. Oi, Isa. Fico feliz que você tenha gostado. Realmente, às vezes a gente precisa descobrir a origem de um comportamento para poder mudá-lo de forma definitiva.

      Uma excelente semana para você também,
      Beijos.

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  4. Muito bom. Não podemos deixar que expectativa e a procrastinação nos superem.

    Beijinhos e tudo de bom!

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    1. Oi, Fá! Muito obrigada! Verdade, precisamos evitar cair nessa armadilha.
      Beijos e tudo de bom pra você também!

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  5. Oi, Helaina!
    Quanto mais você escrever por prazer, mais essa vontade surge. Eu li sua crônica e fiquei pensando no quanto a gente carrega as coisas da infância e o quanto é bom a gente olhar pra dentro e rever tudo.

    Seu texto me deixou reflexiva aqui.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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    1. Oi, Fernanda!
      Eu estou precisando muito disso, mas acho que por trás do prazer que havia quando comecei a escrever, havia também a necessidade de fuga normal da adolescência. Hoje, sabendo lidar melhor com meus sentimentos, a escrita ainda me traz prazer, mas eu fico procurando necessidade na hora de escrever. Tem sido difícil romper a barreira da culpa e sinceramente não sei por onde começar. Sobre a crônica, realmente às vezes sofremos sem saber o motivo e ele está escondido na infância. Apenas compreender o que aconteceu com os olhos de adulto, nos permite se livrar desse peso no presente.

      Eu gosto de conversas assim, e como tenho poucas, faço por meio dos textos.

      Beijos;

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