Era uma vez uma menina que vivia de expectativa. As boas, obviamente. Quando recebia um presente, demorava para abrir o que às vezes deixava triste a pessoa que a presenteava, apesar de sua explicação ser simples e lógica. Na cabeça dela, claro. Sua justificativa era que tinha um pacote em mãos e a expectativa do que havia dentro era boa demais para ser desperdiçada. Poderia ser algo de seu gosto ou um objeto pouco apreciável e a revelação poderia trazer tanto alegria quanto frustração, então ela preferia se agarrar na expectativa de que gostaria do que havia dentro do embrulho.
A menina cresceu sem ser dissuadida a abandonar ou compreender esse comportamento e o que era um habito visto como estranho pelas pessoas que conviviam com ela, passou a ser a raiz da sua procrastinação. A mulher não entendia por que adiava tarefas que gostava de fazer. Quando lia sobre o assunto, citavam medo de fracassar, perfeccionismo, resistência pra sair da zona de conforto, e por muito tempo ela acreditou que fossem esses os motivos que a paralisavam. Porém, aquilo não fazia sentido para ela e a mulher resolveu apenas aceitar e seguir com a vida.