quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Dilema do Cupido

Sentada de frente a uma pequena mesa em um aconchegante café, ela contemplava alguns casais enquanto bebia seu expresso sem açúcar coberto com creme. Não era muito bonita, mas também não era feia. Era uma garota comum de altura mediana e cabelos castanhos caindo pelas costas. Mas ela não era como as outras garotas. Apesar de sua forma, ela não era humana. Alice era um cupido. Longe dos cupidos das estórias com bebês rechonchudinhos segurando um pequeno jogo de arco e flecha, ela, assim como seus colegas de “profissão”, tinha a aparência humana e compartilhava algumas de suas fraquezas.

O tilintar do sininho sobre a porta chamou a atenção de Alice. Sua amiga, de infância e profissão, acabava de entrar e se dirigiu até sua mesa depois de pedir um cappuccino à garçonete.

- Conseguiu terminar a missão, Alice?
Alice apenas concordou com um aceno de cabeça.
- Ai amiga. Quando você vai se acostumar? É a nossa profissão.
- Não sei como você consegue Bianca.
- Você tem que parar de pensar em você. Só assim vai conseguir terminar bem um trabalho.
A garçonete trouxe o cappuccino de Bianca.
- Obrigada - ela agradeceu antes da mulher ir embora. Bianca bebeu um pouco do cappuccino e continuou: - você precisa parar de procurar um namorado. Sabe que somos poucos e temos muito trabalho. A chance de você encontrar um cupido solteiro e afim de um relacionamento é bem pequena.
Alice “deu de ombros”.
O que a deixava aborrecida nesse trabalho era como ele acontecia. Não era difícil, mas para Alice estava sendo cada vez mais doloroso. Isso porque um cupido precisa primeiro se apaixonar pelo humano que irá “flechar” e depois apresentá-lo a alguém.
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