segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escuridão - Final

Essa é a continuação do conto que postei ontem. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 02)
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Escuridão - Final -

Amber havia terminado os preparativos no cômodo ao lado e foi até onde havia deixado Jared para buscá-lo. Como onde Jared estava era mais escuro do que o cômodo onde Amber fizera os preparativos, algo chamou sua atenção. Um pequeno ponto brilhante no final do túnel que ligava aquelas salas ao porão de sua casa. Ela não resistiu. Precisava seguir a chama. Jared sabia onde ela terminaria. Junto com Anna, que não fazia ideia do que estava para acontecer. Ele tentou segurar Amber para que ela não entrasse no túnel, mas ela o jogou contra uma parede com facilidade. A força foi tanta que ele teve a impressão de que seu crânio se partira ao meio.De onde ele caiu, Jared viu a lamparina solitária. Protegida entre as raízes da árvore ela parecia ter cada vez menos combustível para ser consumido. Jared então teve uma ideia.

Anna estava procurando entre os objetos algo que pudesse ser arremessado em uma longa distância e que destruísse a lamparina. Ela sentiu quando um par de mãos muito geladas segurou o seu pescoço com força. À medida que a pressão ia aumentando suas pernas e braços começavam a formigar. Anna tentava se desvencilhar, mas era inútil.

Jared se levantou com dificuldade, atravessou a sala e segurou a lamparina nas mãos.

Amber afrouxou um pouco o aperto em volta do pescoço de Anna.

Jared levantou a lamparina acima de sua cabeça, e a atirou contra as raízes expostas na parede. O cômodo todo logo ardeu em chamas.

Amber soltou Anna no chão e deu gritou visceral como se ela mesma estivesse tivesse sido arremessada contra uma parede.

Nesse momento, várias coisas aconteceram quase que simultaneamente. 

A porta do porão se abriu e a dona do hotel, acompanhada pelo homem que vigiava a porta desceram para o porão. Jared surgiu vindo do túnel de ligação e Amber correu túnel adentro de volta para os cômodos subterrâneos. A dona do hotel e o homem acabaram por seguir Amber. Ao perceber que a porta do porão ficara aberta, Anna passou seu braço em volta da cintura de Jared e os dois subiram correndo pela escada encontrando o mais rápido possível um caminho para fora da casa. Anna saiu primeiro e percebeu que havia voltado a chover. Os dois correram para o mais longe que conseguiram. Jared estava sentindo muita dor por causa de sua febre alta e o ferimento feito por Amber quando o atirara contra a parede. Estava ficado cada vez mais difícil para Anna sustentá-lo de pé. Quando não aguentaram mais, eles desabaram no chão. Por breves segundos eles ficaram apenas sentindo a chuva cair sobre seus corpos enquanto recuperavam o fôlego.

Mas o tempo de descanso foi curto, Amber não havia se queimado nas chamas e agora corria na direção dos dois carregando uma adaga dourada em sua mão direita. Anna percebeu que seu caminho levava direto a Jared, ela então não pensou duas vezes e jogou seu corpo sobre o do amigo cobrindo o peito dele. Mas Amber já havia erguido a faca no ar e desferido o golpe. Anna foi atingida nas costas e sentiu a lamina cortando sua pele. Ela fechou os olhos, torcendo para que Amber desistisse. 

Porém, antes que ela tentasse alguma nova investida, um barulho interrompeu seus planos. O velho carvalho cujas raízes serviam paredes para o cômodo de sacrifício não suportara o fogo e desabava ruidosamente. 

Jared ergueu seu corpo e viu que tanto Amber e sua mãe quanto o homem, estavam se tornando cada vez mais transparentes enquanto gritavam desesperados. Ele reconheceu o homem da loja de conveniência onde havia parado mais cedo naquela mesma noite para pedir informações. Seus gritos eram horríveis, e atemorizavam só de ouvir.

Anna abriu os olhos e Jared se sentou no chão encharcado e a ajudou a se sentar de frente para ele. Jared a abraçou enquanto Anna tentava normalizar sua respiração acelerada pela dor que sentia com o profundo corte nas costas. A adaga que Amber utilizara para desferir o golpe estava caída não muito longe dos dois. Ela e Jared fitaram o objeto e Jared passou as mãos pelas costas dela sentindo o local onde estava o ferimento. Os dois ainda estavam muito assustados com tudo aquilo.

- Temos que dar o fora daqui - disse Anna de repende ficando de pé e ajudando Jared a se levantar. Amber, sua mãe e o homem haviam desaparecido. A chuva terminava de apagar o fogo da árvore que ainda queimava.
Os dois seguiram de mãos dadas até o chalé para pegar suas coisas. Jogaram tudo no banco de trás do carro. Jared pegou sua arma no mesmo lugar onde ela havia caído. Os dois entraram no carro e saíram de Old River o mais rápido que puderam.
Cerca de três horas de viagem depois eles chegaram à Nova Iorque. Jared seguiu direto para um hospital. Anna ganhou alguns pontos nas costas e outros na mão, que havia cortado tentando se libertar das cordas usando uma faca enferrujada, o que lhe rendeu também algumas doses doloridas de antitetânica. Jared foi diagnosticado com uma gripe forte e recebeu recomendações para colocar compressas de água gelada no inchaço na parte de trás de sua cabeça e muito repouso. Depois de liberados, como já estava amanhecendo, Anna e Jared foram para a cafeteria onde certamente encontrariam Arthur.
***
- Então quer dizer que vocês passaram a noite em Old River? - perguntou Arthur colocando duas xícaras de café sobre a mesa.- Você conhece o lugar Art? - perguntou Anna depois de beber um pouco do revigorante café do pai do Jared.- Na verdade só a lenda. Eu nunca estive lá pessoalmente - respondeu Arthur.- Que lenda? - perguntou Jared interessado.

Arthur se sentou do outro lado da mesa de frente para os dois.

- Contam, que há muito tempo atrás, como toda boa lenda, uma mulher que morava nessa cidade despertava o ódio de alguns moradores. Moradoras, para ser mais preciso. Ela era uma jovem muito bonita, de cabelos longos e negros e feições angelicais. Tinha o corpo que dava inveja nas moças da pequena cidade e suas roupas não eram menos provocativas.

Arthur continuou. 
- Um belo dia, um rapaz, que já era prometido para outra garota foi pego aos beijos com a tal bela jovem. Ele era filha da dona do único hotel da cidade. Obviamente que a culpa da “traição” do jovem contra sua noiva prometida caiu apenas sobre a bela mulher, e ela foi presa acusada de ter enfeitiçado o rapaz. Como viviam em uma comunidade fechada, eles tinham suas próprias leis e ela foi condenada a morrer dali a três dias. Ela seria pendurada pelo pescoço em um galho de um enorme e velho carvalho que havia no terreno do hotel.

Anna chegou mais próximo de Jared enquanto se lembrava de cada detalhe do local à medida que Arthur mencionava. Pensando por tudo que Amber teria passado, ela chegava quase ao ponto de ter pena dela. Eles não interromperam Arthur que prosseguiu.

- O enforcamento da jovem aconteceu à noite. Ela, no entanto, não morreu assim que ficou pendurada pelo pescoço. Contam que enquanto agonizava, ela olhava fixamente para as velas que os moradores tinham nas mãos, como se a luz da chama pudesse trazê-la de volta.

E continuou.

- Alguns meses depois, vários jovens da comunidade contraíram uma febre muito forte e morreram em consequência dela. Foi um total de 38 jovens rapazes mortos até que a comunidade resolveu abandonar a cidade. Restou lá apenas o homem que tinha iniciado toda a confusão beijando a moça e a mãe dela que era dona do hotel. Na verdade as pessoas fugiram com certo medo deles. Além de o jovem ser o único que era imune à febre, ele e a mãe da moça pareciam estar envolvidos com tudo isso. Como se fosse um ritual para trazer a filha dela de volta.

Jared e Anna bebiam o café sem interromper Arthur. Eles estavam suficientemente assustados com tantas coincidências entre essa lenda e o que eles haviam passado.

- Claro que o fato se espalhou pelo país. Logo curiosos e aventureiros procuraram pela cidade tentando invocar a mulher. A quem diga que é a luz de uma vela ou lâmpada que a invoca. Cinco dos que foram até lá encontraram a morte de maneira semelhante a dos jovens da antiga comunidade.

- 44º - disse Anna sussurrando ao ouvido de Jared.- Um tempo atrás, uma família que se perdeu na estrada e aproveitou o hotel abandonado para pernoitar, afirma que o filho menor, que estava com muita febre, entrou em pânico afirmando ter visto um fantasma de uma mulher. Eles ficaram com medo de que fosse a consequência da febre alta do menino e deixaram o lugar.

Já ouvi dizer que lá, tem uma lamparina, ou um lampião, não sei ao certo, que nunca apaga. O combustível que mantém o fogo aceso é o prazo que eles têm para conseguir vítimas suficientes, para trazer a jovem de volta a vida ou serão condenados a passar a eternidade em um lugar muito desagradável. Não me perguntem que tipo de vítimas eles procuram, porque isso eu não sei. Mas já ouvi falar que a febre tem algo haver com a lenda - Arthur parou por um tempo e olhou para os dois à sua frente - vocês não acreditam nessas coisas não é? - perguntou ele ao ver as expressões de assombro nos rostos de Anna e Jared - minha avó me contava essa lenda pra eu não deixar a luz do quarto acesa depois que ia pra cama. Claro, como toda boa estória de avó para assustar neto elas acontecem na maioria das vezes à noite.

Anna e Jared sorriram e balançaram a cabeça negativamente.

Arthur deu uma gargalhada. - Mas vocês não tem mais sorte do que esse povo da lenda viu. Jared volta completamente gripado e com um gigantesco galo na cabeça e você com um corte na mão e outro nas costas. Tudo isso em apenas uma viagem de um dia. É incrível. 

Arthur se levantou e seguiu para o carro no estacionamento a fim de trazer para dentro os sacos de café fresco que Jared havia ido comprar.Anna sorriu para Jared que sorriu de volta. Os dois não conseguiam acreditar pelo que tinham passado. Algo que até aquele dia só tinham visto em filmes.

- Se eu não tivesse tanto medo de escuro e ficasse acendendo aquelas velas, talvez ela não tivesse achado a gente. Quase matei você - disse Anna se sentindo culpada.- E se não fosse por você ficar entre eu e a adaga aquela louca teria me matado.
Anna sentiu o ferimento nas costas arder e disse: - Se você tivesse morrido, eu morreria junto. Minha vida seria insuportavelmente sem graça sem você.Jared sorriu - também acho que não sei mais viver sem você.

Anna sorriu para ele e Jared a envolveu com seus braços. Ela correspondeu o abraço segurando-se a ele como se fosse para nunca mais deixá-lo se afastar dela.

O sol despontava sobre as árvores do Central Park e iluminavam a cafeteria trazendo o aconchego e a segurança da luz do dia.

FIM
 
________
Nota: “Esta estória é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou lugares reais deverá ser considerada como mera coincidência”.

7 comentários:

  1. Hey! Que bacana, voltando com tudo heim. Saudades de ler os contos. eu voltei no blog paulinhodionisio@blogspot.com visite quando quiser.

    Beijão.

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  2. Oi Paulo!

    Pois é... estou tentando voltar! Vamos ver se consigo! ^^
    Obrigada pelo apoio!!

    Ah... já estou seguindo o seu blog!! Pode deixar que vou dar uma passadinha lá sim!!

    Bejinhos;

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  3. Ahh! Mto bom reler esse conto! Parece coisa de cinema mesmo! Adorei!
    Ps: não abandone o casal! =)

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    Respostas
    1. Não abandonarei!
      Já estou escrevendo uma nova aventura para eles e espero que em breve esteja publicado!! :)

      Beijus;
      Obrigada pelo comentário!!

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  4. adorei amiga, o que acha de montar um livro heimm?!
    Só tem uma parte que ficou meio estranho, quando anna acha o jared e ele esta meio zondo, é o que parece, e no momento seguinte ele parece estar bem e mostrando uma possivel saida!!
    Mais tirando isso, eu amei!!!

    beijos
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Tenho muita vontade... mas até hoje não montei nenhum... não sei se é preguiça, falta de incentivo, por achar que não vai fazer sucesso... mas quem sabe um dia supero isso tudo! ^^

      Hum... reli o trecho onde está o que vc falou. Acho que talvez tenha faltado uma descrição mais detalhada do que estava acontecendo... talvez por isso tenha ficado parecendo que ele se recuperou do nada... vou dar uma olhadinha e ver o que posso fazer pra arrumar isso.
      Obrigada pelo comentário!! Ajuda muito!
      A gnt quando escreve não tem noção de como aquilo será para quem lê pois a gnt já conhece a estória!
      Talvez eu estivesse escrevendo melhor hoje se tivesse mais gente lendo e comentando... mas... vida que segue!

      Mais uma vez obrigada! ^^
      Beijusss;

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  5. Muito bom Helaina!! Adorei!! Parabens!! Beijos

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