quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aparência

Que péssimo”, ela praguejava em seus pensamentos. “Bem hoje eu tinha que ficar sem internet e acabar nesse infocentro”. Mariana achava ruim usar o infocentro comunitário porque as pessoas que frequentavam o lugar pareciam desconhecer completamente o significado da palavra comunitário e deixavam os computadores em péssimo estado de conservação.

As 20 máquinas estavam ocupadas e ela teve que esperar ao lado da porta da sala. Os computadores estavam dispostos sobre mesas longas. Quatro sobre cada mesa com cadeiras de plástico dispostas de frente a eles. Nas paredes da sala, cartazes com normas de uso, haviam sido colados, mas eram amplamente ignorados. Ela teve certeza disso quando um dos computadores finalmente foi desocupado. O garoto que o estava usando. Havia praticamente um ninho feito de papel de bala em volta do teclado. Mariana suspirou ao se sentar de frente à máquina e começou a juntar os papeizinhos os jogando na lixeira antes de começar a usar o computador.

Uma menina na máquina ao lado dela, que usava fones de ouvido com uma música alta tocando, sorriu em meio a um deboche enquanto estourava uma bolha de chiclete em frente ao rosto e colocava a goma de volta dentro da boca para continuar mastigando.

Antes de começar sua busca, Mariana checou seus e-mails. Depois passou a checar seu perfil em diversas redes sociais onde ela mantinha contas sempre atualizadas. Ela se distraiu e não percebeu a hora passando. Mariana distanciou seus olhos por um instante do monitor e se assustou ao perceber quanto tempo havia gasto e ainda nem tinha começado a pesquisa que havia ido fazer. A tarde havia se tornado noite, e os frequentadores do infocentro começaram a mudar.

domingo, 16 de outubro de 2011

[Poesia] Beyond the Visible

Não existe melhor estimulante do que a imaginação.
Não importa quanto café você tome,
nada pode te deixar mais desperto
do que imaginar um mundo
e criar personagens para habitá-lo.

Deus criou o mundo,
e ao final descansou,
porque é virtualmente impossível
dormir em meio ao processo criativo.

Dar-lhes vida,
e certa quantidade de livre-arbítrio
para conseguir contar sua estória
pode te manter acordado por horas.

Uma dádiva e uma maldição,
uma benção e um desalento.
A única coisa que nunca conseguirei imaginar,
é como é possível viver em um só mundo,
absolutamente real e tangível.

Ensino enquanto crio,
mas também aprendo.
É um dom de poder incalculável,
que exige todo o cuidado
sendo muita força necessária para controlá-lo.

Seria muito perigoso,
se algo saísse do controle,
ou caísse em mãos mal intencionadas.

Pois, por trás de cada palavra,
há segredos individuais.
Diferentes para quem as escreve,
Diferentes para quem as lê,
Diferentes para quem as ignora.

Helaina - 13/10/2011


domingo, 4 de setembro de 2011

[Poesia] Weird

I'm not different
I'm like the others
I'm a equal
She keep repeating to herself. Alone. In her world.

Why I have to be so different.
Or is the others that combined to be so look alike?


sábado, 16 de julho de 2011

Lana Lupin Diary mudou de nome e endereço!

Oi pessoal!

Gostaria de começar o post pedindo desculpa pela ausência, mas eu estava com um projeto com data praticamente marcada para terminar. E consegui terminar! Não, não é nada da faculdade ou coisa assim. É que eu estou ajudando minha amiga Lana Lupin a escrever um diário de suas memórias na internet.

Viram, é uma estória nova!
Gostaria que vocês dessem uma olhada e comentassem dizendo o que acharam!
É muito importante para nós!

Em breve prometo voltar com meus contos de tirar o fôlego! ^^

Enquanto isso conheçam: Lana Lupin's Diary



segunda-feira, 13 de junho de 2011

[Poesia] The Romance never dies...

Mesmo que alguns não possam crer,
o Romance ainda é vivo,
e o será eternamente,
enquanto existir um coração disposto a acolhê-lo.

Se dois corações decidirem mantê-lo,
aí não só o Amor será eterno,
mas também a alma dos amantes que se permitiram envolver por esse sentimento.

Mais que atração física,
o Romance transcende a carne,
e pelo olhar se transmite.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Destination Unknown - Final

Essa é a continuação do conto. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 03)
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O hotel para onde os policiais os guiaram ficava a uns 20 minutos do Hotel Magnólia. Era uma instalação típica de hospedagem em estradas americanas. Os homens deixaram o casal na recepção e foram embora.

Benjamin pegou sua carteira, tirou seu cartão de crédito e o mostrou para a atendente. Ela registrou um quarto de casal no nome dele e entregou uma chave com uma plaquinha com o número do quarto. Os dois saíram da recepção e seguiram para o lá. Benjamin abriu a porta e os dois entraram. O quarto era simples e aconchegante. Tinha apenas uma cama de casal, uma penteadeira com uma pequena televisão em cima e um banheiro. Ele colocou a bagagem no chão e fechou a porta.

- Aconteceu o que eu realmente acho que aconteceu? - Victória perguntou sentando na beirada da cama e acendendo a luz de uma luminária que havia fixada à cabeceira.
- Acho que sim - Benjamin respondeu sentando ao lado dela. Ele pegou as pernas da esposa e colocou sobre seu colo. A meia-calça que ela usava, parecia uma rede de tantos buracos.
- Me lembre de nunca mais subir em uma árvore usando meia-calça - ela pediu sorrindo.
- Você se arranhou bastante - ele comentou enquanto tirava as sapatilhas dela.
- Foi quando a ventania começou. Escorreguei alguns centímetros até conseguir me segurar - ela respondeu.
- Não pude deixar de pensar em uma coisa - Benjamin comentou.
- E o que seria?
- Você se lembra daquele episódio de Arquivo X...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Destination Unknown - Parte 03

Essa é a continuação do conto. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 02)
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Depois que terminaram o jantar, eles ainda se serviram de sobremesa. Não foi mais fácil escolher o que queriam entre as opções do que havia sido no jantar. Havia frutas em calda quente, três tipos de bolo, um pudim apetitoso e um pavê de chocolate de dar água na boca. Depois de saborearem mais de uma dessas delicias os dois se retiraram do salão de jantar e foram para a sala que ficava logo ao lado da recepção.

- Essa é a foto de que eu te falei - Benjamin disse parando em frente a uma poltrona rústica e olhando para o painel que ficava por cima dela e devia ter pelo menos uns 30 cm de altura por 50 cm de largura. Nela estava o salão de jantar do hotel e muitas pessoas estavam de pé no que parecia ser um baile. As roupas que elas usavam eram sem dúvida da década de 50 e o salão era o mesmo, nos móveis e na decoração. 
- Realmente parece coisa antiga. Esse hotel não é nada novo.
- Também achei, mas é um bom lugar.
- É verdade - Victória concordou. Ela continuou olhando outras fotos menores tão antigas quanto aquela, enquanto Benjamin olhava os outros objetos antigos que faziam parte da decoração da sala - Ben - Victória chamou - vem ver uma coisa.

Enquanto Benjamin atravessava a sala indo ao encontro da esposa, a porta principal do hotel na recepção foi aberta de súbito e por ela entraram cinco homens fortemente armados e encapuzados que surpreenderam Eva atrás do balcão da recepção.

Benjamin correu para perto de Victória e junto com ela se sentou no chão ao lado do sofá se escondendo bem na hora em que dois dos homens correram para dentro do salão de jantar. Por sorte os bandidos aparentemente não tinham visto os dois escondidos atrás do sofá.

domingo, 8 de maio de 2011

Destination Unknown - Parte 02

Essa é a continuação do conto. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 01)
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- Quantas horas Ben? - Victória perguntou envolta pelos braços do marido.
- Sete e meia, por quê?
- Fome - Victória respondeu beijando o rosto de Benjamin.
Benjamin deu um sorriso irônico - também fico com fome depois de praticar exercício.

Victória sorriu sem graça de volta para ele. Benjamin segurou as maças do rosto dela e beijou suavemente seus lábios.

- O que a gente faz com a colcha da cama? - Victória perguntou olhando para o tecido molhado que eles haviam jogado no chão para se deitarem sobre os lençóis secos.
- Deve ter alguma camareira que leve ele pra secar. Até lá podemos deixa-la estendida na janela.
- É o jeito - Victória concordou com um pequeno sorriso.
- Que horas você quer descer pra jantar? - Benjamin perguntou.
- Deve ter um horário fixo.

Benjamin se virou para o criado mudo que havia ao lado da cama e abriu a primeira gaveta procurando por algum folheto com informações, mas não encontrou nada.

- Talvez naquela folha colada atrás da porta - Victória apontou.
- Hum... Não enxergo nada daqui - Benjamin reclamou. - E olha que eu nem sou míope.

sábado, 7 de maio de 2011

Destination Unknown - Parte 01

A cerimônia de casamento havia durado exatamente uma hora, mas o que Benjamin e Victória não esperavam era que seus amigos tivessem preparado uma pequena recepção surpresa para os dois. Eles queriam um casamento simples e com os cumprimentos na igreja, mas não tiveram como escapar da festa-surpresa de casamento. 

Com algumas horas de atraso, finalmente os dois haviam conseguido sair da festa e se dirigiram para o hotel onde haviam feito reservas para a lua de mel. Victória, que estava sentada no banco do carona, escolhia um CD para tocar. Por fim pegou um que ela havia gravado com músicas de vários artistas e colocou para tocar. A primeira faixa era Hotel California do grupo The Eagles.

- Boa música - comentou Benjamin, um homem alto, já na casa dos 30, aumentando um pouco o volume.
Victória, apenas dois anos mais nova que ele, sorriu se recostou no banco com seus cabelos loiros ondulados emoldurando perfeitamente seu rosto - tem certeza que não quer que eu dirija?
- Precisa não, linda. Relaxa e curte a viagem - os cabelos castanhos de Benjamin balançavam ao sabor do vento.

Depois de dirigir por alguns quilômetros na rodovia, ele pegou uma estrada secundária e dirigiu por cerca de 30 minutos por uma via sem asfalto que cortava uma floresta até chegar ao pátio do Hotel Magnólia.
O lugar parecia deserto. Era uma casa muito grande, com oito janelas na fachada, dois andares um enorme jardim na frente. As plantas estavam bem cuidadas e o verde combinava com a cor da floresta em volta do pátio. 

Uma mulher de cabelos negros e corpo esbelto, com aparentemente 40 anos apareceu na porta do Hotel.

domingo, 1 de maio de 2011

[Poesia] À Noite

A música ao fundo é o Bolero de Ravel.
Não está nem frio nem quente. 
Apenas agradável.
A lentidão da internet permite pequenas viagens.
No teto do quarto, o lustre jaz cheio de insetos mortos. 
Uma aranha aproveitou e teceu sua teia ao lado, pronta a capturar qualquer desavisado que passe por ali.
O download de um vídeo de 8MB tem previsão de terminar em 30 minutos. 
Haverá bastante tempo para viajar.
O relógio da cozinha trabalha ruidosamente.
Talvez porque o silêncio esteja sendo cortado apenas pelo barulho das teclas à medida que o texto é digitado.
Na cama não há lugar para dormir.
Tudo que foi usado durante o dia está jogado sobre ela o que faz lembrar que logo terá de dobrar uma pilha enorme de roupas.
Quem manda ir a tantos lugares.
Os barulhos da vizinhança são um pouco assustadores.
Nunca se sabe se alguma casa está sendo invadida, ou se alguém simplesmente levantou-se da cama para ir ao banheiro.
Deixar a imaginação sempre aberta tem seus prós e seus contras.
A última vez em que ela foi deixada livre terminou com um medo de escuro que demorou alguns meses para desaparecer... 
Não por completo.
Acho que o Ravel não vai esperar o final do download... 
Não esta nem na metade.
Um refrigerante doce traz um pouco da energia de volta.
E se tudo ganhasse vida? 
E quem fosse vivo ficasse inanimado?
Os ímãs de bicho no quadro de aviso saem andando, procurando um lugar para se esconder da claridade.
Os bichos de pelúcia andam pelo quarto.
Os livros começam a conversar, cada um contando sua estória para o outro.
Os móveis rangem e se acomodam em diferentes posições.
E o único ser antes vivo no quarto agora permanece em uma cadeira.
Sem vida.
Uma boneca de pano com os olhos de vidro.
E o download não terminou.
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*Poesia: É um gênero literário que permite ao autor uma maior expressão de seus sentimentos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escuridão - Final

Essa é a continuação do conto que postei ontem. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 02)
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Escuridão - Final -

Amber havia terminado os preparativos no cômodo ao lado e foi até onde havia deixado Jared para buscá-lo. Como onde Jared estava era mais escuro do que o cômodo onde Amber fizera os preparativos, algo chamou sua atenção. Um pequeno ponto brilhante no final do túnel que ligava aquelas salas ao porão de sua casa. Ela não resistiu. Precisava seguir a chama. Jared sabia onde ela terminaria. Junto com Anna, que não fazia ideia do que estava para acontecer. Ele tentou segurar Amber para que ela não entrasse no túnel, mas ela o jogou contra uma parede com facilidade. A força foi tanta que ele teve a impressão de que seu crânio se partira ao meio.De onde ele caiu, Jared viu a lamparina solitária. Protegida entre as raízes da árvore ela parecia ter cada vez menos combustível para ser consumido. Jared então teve uma ideia.

Anna estava procurando entre os objetos algo que pudesse ser arremessado em uma longa distância e que destruísse a lamparina. Ela sentiu quando um par de mãos muito geladas segurou o seu pescoço com força. À medida que a pressão ia aumentando suas pernas e braços começavam a formigar. Anna tentava se desvencilhar, mas era inútil.

Jared se levantou com dificuldade, atravessou a sala e segurou a lamparina nas mãos.

Amber afrouxou um pouco o aperto em volta do pescoço de Anna.

Jared levantou a lamparina acima de sua cabeça, e a atirou contra as raízes expostas na parede. O cômodo todo logo ardeu em chamas.

Amber soltou Anna no chão e deu gritou visceral como se ela mesma estivesse tivesse sido arremessada contra uma parede.

Nesse momento, várias coisas aconteceram quase que simultaneamente. 

domingo, 10 de abril de 2011

Escuridão - Parte 02

Essa é a continuação do conto que postei ontem. Divirtam-se!
E não se esqueçam de deixar comentários!!
A opinião de vocês é muito importante!!

Para quem não leu: (Parte - 01)
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Escuridão - Parte 02 -

No meio da noite, Anna acordou assustada com um barulho. Ela abriu os olhos, mas não conseguia enxergar nada. As velas haviam se queimado completamente. Seu coração começou a bater mais forte quando ela procurou por Jared na cama ao lado e não o encontrou.
- Jay - ela chamou aflita.
- Estou no banheiro - a resposta de Jared se seguiu do barulho da descarga e ele apareceu novamente no quarto com uma lanterna.
Assim que ele chegou perto o suficiente, percebeu que Anna estava um pouco pálida.
- Eu não gosto de escuro - ela justificou.
- Ei, fica tranquila. Eu não vou deixar você sozinha - Jared colocou a lanterna sobre o criado-mudo e sentou-se em sua cama olhando para a amiga - a gente está num lugar estranho, por isso é meio assustador. Vamos dormir em turnos.
- Primeiro você.
- Não senhora. Eu já estava acordado antes de você acordar. Você volta a dormir. Daqui a umas duas horas eu te acordo.
Anna não tentou resistir. Ela fechou os olhos, mas um relâmpago a fez abri-los novamente e ela viu uma figura sinistra os observando, pela janela - Jared! - gritou ela se levantando - tinha alguém nos observando pela janela - ela não conseguiria descrever os detalhes, tudo o que pode perceber era que a forma do que os observava era humana, pelo menos a parte visível.
- Onde?
Anna apontou a janela ao lado da mesinha onde estava a televisão. Jared se levantou e foi até lá. Anna com muito medo o observava da cama. Ele abriu a janela devagar e colocou metade do corpo para fora. Jared não viu ninguém. Mas um relâmpago mostrou algo que ele não esperava ver. Bem embaixo da janela havia marcas de dois pés, muito bem preservadas. Elas agora se desmanchavam com a chuva, mas pareciam muito recentes.
- Alguma coisa Jay?
A voz de Anna chamou Jared de volta à realidade, fora dos devaneios de sua mente.
- Não - ele disse vacilante. Tomou fôlego e voltou a confirmar - nada.
- Você mente muito mal - disse Anna apreensiva.
Jared deu um sorriso amarelo, fechou a janela e as cortinas, ou pelo menos o que sobrava delas. Foi até o carro e pegou uma arma que o pai havia lhe dado para que carregasse nessas viagens como forma de se proteger. Ele nunca pensou que precisaria desse artifício. Até aquele momento. Ele voltou para o quarto e colocou a arma no criado-mudo ao lado da cabeceira de sua cama - nada com o que se preocupar.
Anna sorriu torto para ele. Não gostava da ideia de ter uma arma ali tão perto, mas talvez na ocasião, fosse uma boa ideia.
***
Anna, - chamou Jared ao ouvido de Anna umas duas horas depois que ela havia dormido - acorde - Jared havia acendido mais algumas velas para que Anna não acordasse no escuro.
- Acho que peguei no sono de verdade - disse ela acordando - preciso ir ao banheiro lavar meu rosto e você já vai dormir.
Quando Anna voltou do banheiro percebeu que Jared não estava nada bem. Encostando suavemente sua bochecha na testa dele, ela percebeu que ele ardia em febre. Jared estremeceu ao entrar em contato com uma pele mais fria que a sua.
- Você vai ter que tomar alguma coisa pra baixar essa febre. Acho que tem um vidro de dipirona no meu nécessaire. Eu tomei faz uns dias pra dor de cabeça. Vai ter que servir.
Anna abriu sua mochila, que havia ficado ao lado de sua cama e começou a procurar.
- Hum, acho que deixei lá no carro. Naquela hora em que eu peguei umas balas pra gente.
- Eu pego lá - sugeriu Jared.
- Claro que não mocinho! Você fica quietinho aí que eu já volto. O carro está aqui na frente.

Jared ergueu suas duas mãos em sinal de rendição. Anna sorriu para ele. Ela colocou a jaqueta azul marinho por cima das da blusa e da bermuda que estava usando para dormir, pegou as chaves do carro e saiu, dando um sorriso para Jared antes de fechar a porta atrás de si. Por causa das pancadas de chuva que caíam a todo o momento, Anna tinha estacionado o carro com a porta do lado do motorista de frente para a porta do chalé. Ela destrancou a porta e entrou sem fechá-la, mantendo as luzes internas do SUV acesas. Anna sentou-se no banco do carona, pois isso facilitaria sua busca. Anna abriu o porta-luvas e começou a retirar tudo o que havia dentro.
Ela estava tão compenetrada no que estava fazendo, que não percebeu o perigo chegando rapidamente próximo a ela.

- Achei - ela disse segurando o vidro de dipirona, quando uma batida no vidro chamou sua atenção. Ela já se preparava para ralhar com Jared quando se deparou com uma imagem a qual nunca mais iria esquecer. De pé, ao lado da porta do carona, uma garota vestida em trapos olhava fixamente para ela. Seus olhos eram profundos e as íris amarelas. Sua pele se assemelhava a de muitos cadáveres que ela já vira em filmes, e os cabelos molhados da jovem eram negros, e metade estava grudada em seu rosto. Ela se comportava de maneira estranha, batendo a cabeça no vidro do carro como se estivesse hipnotizada.

Anna havia ficado afônica e incapaz de se mover. Com um tempo ela percebeu que não poderia ficar ali pra sempre. A garota poderia desistir dela e atacar Jared. Anna começou a se mover em direção à porta que deixara aberta do lado do motorista. A garota não demonstrou nenhuma reação e continuou exatamente como estava. Ela então se moveu o mais devagar que podia e que suas pernas e braços congelados pelo medo permitiam. Anna abriu a porta do carro, fechou-a e seguiu engatinhando muito devagar para o chalé sempre olhando para trás para se certificar que a garota havia ficado ao lado do carro. Por um instante ela preferiu não acreditar no que viu, ou no que não viu. A garota não estava mais lá e foi quando ela sentiu as mãos frias dela segurando seu braço com muita força, a sensação era de que eles iriam se desfazer nas mãos da garota que agora estava tão próxima a Anna que ela podia sentir seu hálito podre.

sábado, 9 de abril de 2011

Escuridão - Parte 01

Escuridão

- Posso interromper seus pensamentos? - perguntou Jared, um homem de aproximadamente 30 anos, alto, de porte atlético e cabelos castanhos escuros a uma mulher que estava sentada em frente a uma das mesas na cafeteria onde ele trabalhava.
Anna olhou para o homem. Ela tinha quase a mesma idade dele, era magra e tinha alguns centímetros a menos que ele. Seus cabelos castanhos lhe caiam com leves ondulações nas costas.
- Ah, tudo bem. Não está interrompendo - respondeu ela.
- Posso te servir alguma coisa? Nosso café é a especialidade aqui da região. Posso dizer que é o melhor de Nova Iorque - disse ele sorrindo.
- Acho que não posso sair da cidade sem experimentar não é? - ela sorriu - pode trazer uma xícara pra mim, por favor.
- Em um minuto - respondeu Jared se afastando.
Anna ficou olhando enquanto ele se afastava. Por um momento ela se sentiu dentro de um seriado ou filme americano onde um homem muito bonito com cara de adolescente aparece do nada e muda a sua vida. Mas ela logo parou de imaginar coisas.
Jared voltou com a xícara de café e ficou de pé ao lado dela.
- Hum, - disse ela depois de experimentar - realmente muito bom!
- Meu pai compra os grãos direto do produtor que vive há alguns quilômetros daqui.
- Por isso é tão bom. Parece muito mais fresco dos que os que a gente compra no mercado.
Jared sorriu para ela - você é daqui? - ele perguntou.
- Na verdade sou de muito longe - ela sorriu - vim do Brasil.
- Nossa, quando você falou que veio de longe imaginei um estado longe, mas não outro país.
Anna sorriu.
- Mas você nasceu aqui ou coisa assim? Você não tem sotaque de estrangeira.
- Na verdade foram muitos anos de treino.
- Bastante treino - ele comentou - ah quanto tempo você mora aqui?
- Faz dois anos já. Ganhei a viagem de presente dos meus pais e me estabeleci. Mas estou pensando em voltar pra casa.
- Por quê? Ah, me desculpe a intromissão - perguntou ele se desculpando em seguida.
- Tudo bem - Anna sorriu - eu trabalhava em uma livraria, mas o dono teve que reduzir o pessoal. Foreigner's first. Mas eu não fiquei aborrecida, vou aproveitar a oportunidade e voltar pra casa.
- E se você conseguisse outro emprego? - perguntou Jared.
Anna olhou para ele sem responder.
- Espere um minuto - Jared se afastou e voltou alguns instantes depois com um homem parecido com ele, porém com alguns anos a mais, o que era denunciado por alguns fios de cabelos brancos.
- Olá - disse o homem estendendo a mão e cumprimentando Anna - eu me chamo Arthur, e meu filho Jared disse que você poderia estar interessada em um emprego?
- Ahh... bom, é. Na verdade eu iria voltar para casa por não ter mais como me manter aqui.
- Tem experiência trabalhando com público?
- Eu trabalhava em uma livraria. Acho que talvez seja um publico diferente, mas tenho sim.
- Bom, estamos precisando de mais uma pessoa para nos ajudar a servir as mesas. O Jared tem ajudado, - ele apontou para o filho - mas ficar no caixa e servir as mesas ao mesmo tempo não são tarefas fáceis - comentou Arthur sorrindo - fique um tempo como experiência, qualquer tempinho que você ficar conosco vai ajudar bastante - continuou ele.
- Aceito - ela respondeu sorrindo.
- Quando terminar seu café venha a meu escritório para acertarmos os detalhes - Arthur apertou a mãos dela mais uma vez e começou a se afastar - desculpe  indelicadeza, mas qual o seu nome?
- Anna - ela respondeu sorrindo.
Arthur e Jared sorriram de volta.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Loucuras de um carnaval qualquer...

Alice e Juliana eram amigas de longa data que costumavam passar o Carnaval em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Todo ano era sempre a mesma coisa. Uma banda no palco animava as pessoas na rua que dançavam e se divertiam até o sol nascer. Aquele ano, entretanto tinha tudo para ser como os outros, mas não foi. Depois de uma noite inesquecível, assim que chegou a casa, Alice correu para o quarto, pegou seu diário de começou a escrever.

08/03/2000

Eu não costumo escrever em diário, mas como a memória é fraca... Ontem foi o ultimo dia de carnaval, e o ultimo dia de Banda Pakto. Desde sábado, dia 04/03, eu e a Juliana nos apaixonamos pelo guitarrista da banda ( ele era extremamente lindo com longos cabelos negros encaracolados caindo até sua cintura). Nós passamos os dias de carnaval embaixo do palco tentando chamar a atenção dele. Ficamos admirando sua beleza e gritando o seu nome e chamando ele de lindo de sábado até segunda-feira, até que no último dia de carnaval aconteceu a coisa mais maravilhosa que poderia acontecer.

Meme - Vale a pena ler de novo!

Oi pessoas!
Fiquei muito feliz hoje ao passar aqui pelo blog e ver que recebi meu primeiro Meme!!
Obrigada à

  1. Arquivo X - Episode Guide / Pessoa EsdrúxulaChapeleta Roxa / Delírios Nonsense / Vida de Escritor / Angel Books / Garota Eclética / Et Coetra / OkayCult / Open Mind /
  2. Um Olhar sobre o Mundo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Tudo por um sorvete"

Eu não comecei a escrever sozinha. Claro que a criatividade para inventar estórias eu sempre tive, mas só quando eu conheci minha amiga Marlene é que eu me dei conta que o que eu fazia era bom. Nós não conseguimos nos lembrar como nossa amizade começou, só sabemos que foi há uns 11 (ou serão 12) anos... desde então percebemos que aquela parceria tinha tudo para dar certo.

Ainda me lembro de quando tivemos a ideia para nossa primeira estória! Foi dentro da igreja (que feio... não estávamos prestando a atenção à missa...) que começamos a viajar nas primeiras linhas de estórias sobre investigação e fenômenos paranormais. Depois não paramos mais e hoje sonhamos em ver nosso trabalho publicado (mas temos que terminar de escrevê-lo primeiro :P)

No entanto hoje não vim aqui para publicar nada meu... esse post eu dedico totalmente à Marlene, sem a qual eu ainda estaria escondendo as coisas que eu escrevo por achar que ninguém gostaria de ler. Pois ela leu, gostou e quis escrever comigo!

Recebi (por escrito) dela a autorização de publicar no Universo Invisível uma estória que ela escreveu há muito tempo na escola em uma prova de redação. Achei a estória muito bem contada, com muita criatividade e com um desfecho surpreendente! (Adoro esse tipo de estória).

Conheçam então o talento de minha parceira de crime!!
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Tudo por um sorvete
Autora: Marlene T. Dias  

Solange estava em seu quarto quando sua mãe lhe chamou:

- Solange! Venha aqui na cozinha que eu quero que você me faça um favor!

- Ai que droga! - reclamou a garota saindo contrariada de seu quarto, pois já sabia do que se tratava.

- Eu quero que você me faça um favor. Vá ao açougue e compre 1 quilo de carne para o jantar. 
E olha, é pra comprar só carne viu?!

Solange saiu em direção ao açougue, mas no caminho viu seus amigos André, Tiago e Lúcia jogando vôlei e ficou ali jogando com eles. E assim ficaram por mais meia hora até que Solange teve uma ideia.

- Vamos tomar sorvete, que hoje eu tenho dinheiro! - ela convidou. E foram os quatro à sorveteria do “seu” Henrique.

Já era noite e só tinha sobrado Solange sentada à beira da calçada chupando o ultimo sorvete quando ela lembrou que tinha de ir ao açougue, mas como se ela havia gasto todo o dinheiro com sorvete. “Você é uma irresponsável, será que nunca posso confiar em você?” Solange sabia que essas seriam as palavras da mãe acompanhadas de uma surra de cinta.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estou voltando... Aguardem!

No ar desde 16/11/2008 o blog passou por um período de inatividade. Devido a uns probleminhas eu não estava conseguindo escrever... mas agora estou quase terminando um conto que comecei em 2009 e logo que ele estiver pronto o blog volta a atividade!

Espero que logo eu possa postar aqui de novo. Não aguento mais de saudade. Mas quero terminar o conto que eu estou escrevendo por completo para não ficar devendo nenhuma parte depois. 

O conto do qual eu estou falando já tem alguns posts aqui, mas se vocês olharem vão perceber que não cheguei a postar o final dele. É um pouco difícil para mim escrever e postar ao mesmo tempo, a qualidade estava ficando meio comprometida por eu tentar sempre fazer um post novo  mas antes de revisar o texto por completo. Depois se precisava fazer alguma alteração ficava a maior bagunça... além do que quem já havia lido o texto de um jeito não leria de outro apenas para conferir pequenas modificações. Por isso resolvi parar de postar e escrever... só que aí eu parei foi de escrever.... Mas se Deus quiser isso não irá acontecer novamente e logo que terminar este conto em questão começarei outro e pretendo não parar mais!!

Estou morrendo de saudades!
Espero que vocês também estejam!!

Beijinhos;
Até o próximo post!!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Contratempo

Apenas um contratempo

Nada aquele dia nada estava dando certo. Perdeu a hora ao se levantar, por isso ia chegar atrasada no trabalho. Molhou o cabelo ao lavar o rosto danificando metade da chapinha. Lascou uma unha trabalhosamente pintada de vermelho na hora em que foi abrir a porta do carro. Somente depois de dirigir alguns metros se lembrou de que não tinha colocado o lixo pra fora. Tomou uma fechada de outro carro ao se distrair com uma luz piscando no painel. Uma segunda-feira quase típica. O que mais podia dar errado?
- Sai do carro! Agora! - gritou um homem ao lado de seu carro.
Por essa ela não esperava. Parou no sinal vermelho e foi abordada por um homem usando mascara de lã e com uma arma em punho. Esse tipo de revés não estava nos seus planos.
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